Covid-19: Relato de um Sobrevivente [Adilson José de Barros]

Adilson José de Barros. Foto: Acervo pessoal.

Atualizado em 05/10/2020 15:03 por Éter 7 News

“(..) Tiveram momentos que pensei que seria meu fim.”

A matemática da vida é simples, na teoria. 1 dia a mais de vida, mais experiência colocamos na bagagem, 1 dia a menos, nosso tempo vai se acabando.

Na prática, é muito mais. Temos nossos objetivos de vida, nossas aspirações, nossos desejos, e também não estamos sozinhos em nossa caminhada. Existem a família, os parentes e os amigos, e todos esses sofrem com o nosso sofrimento.

Carregamos nossas crenças, valores e sentimentos de amor, respeito e confiança na vida, nosso bem maior, mais valoroso.

Em continuidade aos relatos de sobreviventes, segue agora um pouco do que Adilson José de Barros viveu nesse período com o covid-19. Ele é de Curitiba-PR.

Amigo próximo, Márcio Ice o resume como: “parceiro, trabalhador e família. Acima de tudo vejo nele, uma pessoa que ama a família. Quando soube da situação foi uma surpresa, porque não imaginamos que vai acontecer com alguém tão próximo da gente. Ele é do meu dia-a-dia, que trabalho próximo, e a gente teme pelos amigos, mas eu sabia que ele iria se recuperar pela força de vontade que ele tem de trabalhar, de viver, e pelo histórico dele de lutar, é uma pessoa temente a Deus!”

ENTREVISTA

– Como você acha que contraiu o covid-19?

Acho que contraí o covid no trabalho.

– Qual a sua idade?

Tenho 33 anos.

– Foi diagnosticado de imediato? Quanto tempo levou para receber a confirmação do resultado?

Os sintomas começaram na quinta-feira. Sexta ainda trabalhei, fui ao médico no sábado…

Já fui afastado mas coletei para o teste apenas na terça-feira seguinte e o resultado deu positivo somente na sexta…

– Como foi o período de isolamento? quanto tempo levou para se curar?

Fiquei isolado por 14 dias em casa com minha esposa e 2 filhos, 1 menino de 7 anos e uma menininha de 1 ano e meio. Os 3 fizeram o teste e todos deram negativos, nenhum deles contraiu o vírus…

– Quais os primeiros sintomas e como foi a evolução? Pode detalhar a sua experiência? Quem mais deu apoio?

Os primeiros sintomas foram dor de cabeça, dor no corpo e febre… Seguidos de perda do olfato e paladar. 3 dias depois tinha muita febre e suava muito, sentia calafrios e muitas dores nas costas. Tive diarreia lá pelo quinto dia, minha pressão subiu, tive uma taquicardia e não conseguia respirar, fui socorrido de ambulância até o Hospital Santa Cruz, fiquei no oxigênio e tomei vários medicamentos na veia… Fiquei o dia todo lá até estabilizar o coração, pressão e respiração… A noite já voltei para casa…

Tomei por 5 dias Azitromicina, Predicort, Dipirona e Paracetamol. A partir do sétimo dia começaram a sumir os sintomas e então fui só melhorando. No final dos 14 dias estava totalmente recuperado, graças a Deus e a todo cuidado e apoio da minha esposa que levava café, almoço e janta na cama pra mim. Eu levantava apenas pra ir ao banheiro e ficava muito cansado e ofegante, e também ficava no quarto pra ficar longe das crianças… Mas ao fim dos 14 dias estava melhor, porém com 8 kg a menos…

– Qual era sua expectativa logo no início da pandemia, acreditava que iria contrair? como você enxerga todo esse tema atualmente, após a sua cura?

Eu me cuidava no trabalho sempre usando máscara e álcool gel, não imaginei que pegaria e pensava que se pegasse seria apenas como uma gripe, pois sempre gostei de malhar, correr, fazer exercícios físicos. Me alimento bem, tomo suplementos… Mas não foi como pensei… Tiveram momentos que pensei que seria meu fim. Acredito que assim como eu, muitas pessoas desacreditam do vírus… Mas cada organismo reage diferente, então acho que temos sim que cuidar muito…

– O que espera fazer agora, depois de ter vencido essa luta?

Agora recuperado voltei a trabalhar, voltei a fazer musculação, voltei a correr… Estou voltando à minha rotina… Agradecido por ter vencido…

– Qual a mensagem que você deixa à todos que lerem essa matéria?

A mensagem que deixo é: “Não desistam, não deixem de acreditar que é possível e foquem em seus objetivos, e claro, muito importante é o apoio da família e amigos, mesmo longe mandando uma mensagem de apoio, de carinho, e levantando aquele que está caído.”

Realmente comovente a experiência do Adilson, e assim reforçamos a nossa mensagem para que cuidem-se sempre!

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